sábado, 22 de agosto de 2009


Eis que estou aqui, cantando.

Um poeta é sempre irmão do vento e da água

deixa ser rítmo por onde passa.


Venho de longe e vou para longe

mas procurei pelo chão os sinais do meu caminho

e não vi nada, porque as ervas cresceram e as serpentes andaram


Também procurei no céu a indicação de uma tragetória

mas houve sempre muitas nuvens

e sucidaram-se os operários de Babel


pois estou aqui cantando.


Eu nem sempre aonde estou,

como posso esperar que algum ouvido me escute?


Há! se eu nem sei quem sou,

como posso esperar que venha alguém gostar de mim?
(Cecília Meireles)
Estar sempre a caminho é processo natural de todos.
Que seja sempre assim: que mesmo conhecendo pouco o mistério que habita em nós mesmos nunca nos faça perder a percepção do belo que nos rodeia.

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